Em entrevista exclusiva ao caderno Feminino&Masculino, Andrea Neves dá um fim nos
boatos em torno de sua anunciada temporada na Inglaterra, para onde viaja esta semana
Fonte: Ana Marina - Estado de Minas - Caderno Masculino&Feminino - 13/07/2008
A notícia estourou como uma bomba na imprensa de todo o pais: Andrea Neves está deixando o governo. E vai com a filha e o marido, Luiz Márcio Pereira, para a Inglaterra. É claro que as versões dessa viagem são as mais estapafúrdias possíveis, há de tudo um pouco. E assim elas foram circulando, sem que ninguém parasse para pensar: mas onde é que está mesmo a verdade?
Para quem se deslumbra com os brilhos e ouropéis do poder é totalmente impossível uma mulher que para muitos é a eminência parda do governo mineiro deixar tudo para acompanhar a filha, que vai estudar durante uma temporada no exterior. Então, é melhor acreditar no boato do que no fato.
E o fato é um só: Andrea resolveu dar uma parada, dar um tempo para acompanhar Maria Clara, a filha. E é isso que conta, coração aberto para os acontecimentos. Porque fui perguntar a ela o lado verdadeiro dessa viagem, que nem é tão longa assim, em dezembro estará de volta. Conta que não foi fácil a decisão, mas, avaliando prós e contras, acredita que a hora é boa para sair, seus projetos estão encaminhados.
“E, além do mais, tenho apenas dois papéis no governo: na presidência do Servas e na coordenação do 1º Grupo Técnico de Comunicação, que o governador criou para normatizar o setor. O que acontecia antes era uma dispersão de mídia, que se acumulava em alguns meses e desaparecia em outros. Agora isso não acontece mais – e o foco principal do governo são as campanhas de utilidade pública.” Lembro que, para quem está de fora, deixar o núcleo do poder parece uma excentricidade.
Andrea rebate com uma realidade: “Minha família sempre esteve no meio político, fomos criados nele. E a política é cheia de altos e baixos. Então, sabemos que tudo é transitório, que é importante, mas pode passar. O que fica mesmo é a estrutura familiar, o que carregamos conosco, sou um ano mais velha do que o governador, tenho temperamento diferente do dele, sou tímida, mais sossegada. Ele é comunicativo, aberto. Mas nos entendemos muito bem – e esse nosso laço familiar é inquebrável. Nos apoiamos mutuamente. Ele deu para a política, eu não dei. Mas a figura de Tancredo é importante, nos guia”.
Hora da Decisão
Comentei sobre um discurso que ela fez, em 2006, para mulheres homenageadas pela Associação Comercial, avaliando a dupla tarefa feminina, as contradições de nosso tempo, que tocou profundamente a platéia. Principalmente quando ela disse que “muitas vezes esquecemos de lembrar a nós mesmas o que realmente é prioritário para cada um de nós. E então, um dia, de repente nosso olhar cruza com o olhar dos nossos filhos.
Prestamos atenção diferenciada a uma resposta que eles nos dão e descobrimos, de repente, que eles cresceram. Que o tempo passou”. Foi isso que motivou esse hiato que ela está abrindo na sua carreira pública?
“Acho que não sou centralizadora, que delego. Mas sei que sou minuciosa, quero acompanhar tudo de perto. Então, achei que tenho que dar um tempo, fazer algumas coisas de que gosto e não posso. Uma das que me propuz, seriamente, é não ficar controlando de lá o que acontece aqui no Servas. Quero me desligar – e ler, ler muito.
Separei uma boa quantidade de livros que vou levando. Vamos alugar uma casa, meu sobrinho Mateus também vai. E Luiz Márcio também. Além do mais, mamãe, que é a presidente do honra do Servas, vai ocupar meu lugar, dar continuidade aos projetos, que são muitos e me apaixonam”.
Dedicação Total
Quando Andrea fala do trabalho que vem desenvolvendo na entidade assistencial do governo de Minas Gerais, seu entusiasmo é visível. Cada um dos projetos é a menina de seus olhos. A abrangência é total, porque a instituição atende, hoje, de crianças a idosos, passando pelos jovens , mobilização de comunidades, mobilização social.
Dom Geraldo Majela de Castro, bispo de Montes Claros e membro da Pastoral da Criança, dá seu depoimento: “Sentimos que Andrea vestiu a camisa da Pastoral da Criança, começamos a vê-la quase como membro da equipe estadual. Logo em seguida ela, por meio de promoções, equipou toda a sede estadual da Pastoral da Criança, doando móveis, computadores, veículos, tudo o que é necessário para o seu bom funcionamento.
Não temos palavras que expressem nosso amor e respeito para com Andrea, talvez seja um daqueles anjos que Deus usou para a realização de grandes acontecimentos da História da Salvação. Pelo jeito, parece- me que ela segue o exemplo de Maria Santíssima no despojamento, compromisso e sobretudo na fidelidade e transparência nas ações por ela desenvolvidas em todas as áreas da sua atuação social. Todos os seus feitos ficarão gravados fortemente no coração de todos nós, revelando sua pessoa tão religiosa, tão simples, tão atenciosa e sensível ao sofrimento do próximo”.
O bispo tocou em ponto importante da personalidade de Andrea: “O lado positivo de estar onde estou é saber que estou fazendo alguma coisa de bom para o próximo”, avalia ela.
Prazer em Atender
Só quem está por dentro do problema consegue avaliar a extensão da demanda. E é claro que ela é sempre muito maior do que podemos imaginar. Para quem tem mania de perfeição, para quem quer atender o máximo possível, as parcerias são necessárias. Um dos projetos do qual Andrea fala com mais carinho é o da Brinquedoteca, que tem várias parcerias, uma delas com o Banco Internacional de Desenvolvimento (BID). Por meio dele, foi possível capacitar 734 educadores infantis e 468 creches, e cerca de 35 mil crianças, em 129 municípios. Às vésperas de viajar (a família segue esta semana para o exterior), ela aproveita uma pausa em nossa conversa para aprovar dois bonecos que estão sendo feitos para a Brinquedoteca e que serão distribuídos quando ela voltar.
A palavra-chave é esta: voltar. O que seria um prosaico acontecimento na vida de qualquer família, e que ganhou uma força desmedida, retorna ao seu contexto real. O que Andrea Neves da Cunha está fazendo não é nada mais do que dar-se um tempo, aproveitar um pouco a vida, junto com marido, filha e sobrinho, na Inglaterra.
“Em dezembro estou de volta, o Servas não terá seus projetos paralizados, nada vai mudar”.
E lá vai Andrea Viajar - Ziraldo
Há muito tempo venho dizendo que este vai ser o século da salvação do mundo. Não é que eu seja um Dr. Panglos e queira, nadando contra a corrente, ser um otimista desarvorado do nosso tempo. O mundo será salvo porque ao final do século em que estamos vivendo, estaremos todos nas mãos das mulheres, definitivamente. Elas vão, com seu bom senso nato, com sua intuição, com seu afeto e por será matriz da vida humana, assumir, finalmente, o comando do mundo. E está aí a única hipótese de estarmos salvos, a única oportunidade da humanidade sobreviver. Confesso que tenho um olho clínico para conhecer estas Evas Multi que, aqui e ali, vão despontando entre nós. Elas já estão dirigindo países, comandando mais da metade das grandes empresas americanas, decidindo nos mais diversos tribunais, dirigindo os mais importantes conselhos.
Calmamente, vão se revelando parceiras serenas e competentes de homens que ainda decidem nossos destinos. Até aqui dá para perceber que estou fazendo uma “pequena” introdução para falar de Andrea Neves. Pois é isso mesmo. Conheço a Andrea, praticamente, desde a adolescência e tenho acompanhado sua vida, adivinhando suas vitórias. Neste momento ela está partindo para uma temporada na Europa, onde vai poder conviver, com maior intensidade, com sua filha Maria Clara. Deixa o comando de mil destinos, o poder de decidir sobre eles para estar, pelo menos por um tempo maior, junto da filha. É que, antes de tudo, ela intui qual é a primeira e mais importante função – ou papel – da mulher: a de ser mãe.
Mais que isso, porém, ela vai provar aos que pensam que ela é parte de qualquer poder decisório da gestão de seu jovem irmão, que ele é, por ele mesmo, o competente governador que tem encantado o Brasil, um raro político da qualidade dos velhos fundadores desta arte em Minas Gerais. Tancredo não assistiu seu neto chegar onde chegou mas, se há a hipótese de vida após a morte, lá do alto, ele está vendo seu herdeiro igualar-se a ele – ou até mesmo superá-lo – a ponto de vir a transformar-se num futura legenda nesta área que marca a história de nosso estado. Lá vai a Andrea, com essa certeza. Ela é capaz de gestos incríveis.
P.S.: tenho idade bastante para ter essa eloqüência e dizer todas essas coisas pelo simples fato de acreditar nelas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário